Ciclo Turismo
Cicloturismo: Volta à Chapada dos Veadeiros
Amigos pedalantes,
Desde que conheci a Chapada dos Veadeiros, em meados de 2004, mantive grande vontade de explorar este belo local com mais tempo, de uma maneira diferente do tradicional. Já em 2009, em um passeio absolutamente familiar na Chapada, deparei-me com um mapa pictórico do Parque Nacional mostrando que uma volta completa, de bike, seria possível.

A partir de então se iniciou o planejamento da Volta à Chapada de Bicicleta, que realizei no período de 21 a 24 de fevereiro de 2010. Penso que esse poderia, facilmente, ser um roteiro no estilo de outros já famosos no Brasil, tais como Estrada Real, Caminho da Luz e o Vale Europeu (que ainda pretendo conhecer!).
Esse roteiro não é inédito, diversos outros já o fizeram. Mas acho importante compartilhar algumas experiências que podem ser muito úteis para aqueles que quiserem se aventurar nesses místicos caminhos.
Primeiro Dia: de Alto Paraíso a Cavalcante
Alto Paraíso de Goiás, conhecida pelos esotéricos como a Cidade do Terceiro Milênio, pode ser considerada o portal de entrada da chapada. Recomendo tomá-la como ponto base, tanto pela boa infra-estrutura existente, como pelo certo “quê de transcendental” que paira no ar.

O trecho é composto de 91 Km de estrada bem asfaltada, com bom encostamento e o melhor: a Chapada descortinando-se à nossa esquerda. Mesmo para os mais aficionados por terra, esse pedal no asfalto é especial.

Nos primeiros 20 Km, temos predominância de subidas até atingir o ponto culminante de Goiás, o Mirante do Pouso Alto, que fica a 1.676m de altitude. Neste período, os ventos estavam bastante fortes, o que dificulta razoavelmente o avanço. A partir de então, a pedalada fica mais tranquila. Como ponto negativo, cito a quase total ausência de sombra na beira da estrada, o que faz que o protetor solar abundante seja item fundamental na bagagem.
Existindo disponibilidade de tempo para uma parada, uma boa dica é a cachoeira Poço Encantado, aproximadamente 52Km depois do início da viagem.
Destaque para a cidade de Teresina de Goiás, a apenas 22 Km do destino do dia, onde pode-se fazer um reabastecimento dos alforges e até encarar uma parada em um restaurante, por quilo, que fica bem na beira da estrada.
Já em Cavalcante, temos uma boa quantidade de opções de pousadas, campings e restaurantes. Fiquei no hotel da Sra. Creuza, excelente pessoa que inclusive me cedeu sua casa no Povoado da Lapela para a noite do próximo dia de viagem.
Segundo Dia: de Cavalcante ao Povoado da Lapela
Eis o que considerei o melhor dia do roteiro: visual da Chapada em estado bruto e estrada de terra com movimento praticamente nulo de automóveis! A vegetação fica mais exuberante e em alguns momentos as árvores se fecham no alto da estrada, presenteando os passantes com fartas sombras – eis a compensação para a quase insolação do dia anterior.

Muitos atrativos turísticos, como a cachoeira Ponte de Pedra, são encontrados nos primeiros quilômetros, então dedicar um dia completo para conhecê-los é uma boa pedida. Quero fazer isso na próxima vez que estiver por lá.
A chamada “Serrinha”, próxima de merece total atenção: é uma descida muito forte, com curvas muito acentuadas. Muitos morreram por ali, fato comprovado pela foto, admito, de gosto bastante duvidoso, mas que aqui compartilho.

Belos rios são atravessados, em um convite irresistível para um banho. Na foto abaixo, dá para notar o quanto a água é transparente?

O Povoado da Capela é constituído de um conjunto muito pequeno de casas, sendo que o elemento central é a construção que lhe dá o nome. Local onde o tempo passa absolutamente devagar, é pecado não jogar conversa fora com os moradores.
Surpresa maior de todas: lá, existem bares, e melhor ainda, com cerveja geladíssima! Recomendo o bar de Seu Dé e Dona Neuza, onde quase sempre se pode negociar algo quente para comer. Muitos são os aventureiros que foram socorridos por eles.
Pernoite na casa gentilmente cedida pela Sra. Creuza, proprietária do hotel em Cavalcante. Dá para acreditar em tamanha hospitalidade? Isso não acontece na cidade grande...
Terceiro Dia: do Povoado da Lapela às águas termais do Éden
As nuvens baixas tocarem no alto da serra, no amanhecer da Chapada, é um momento especial, especialmente quando estás sozinho, com tua bicicleta e um ainda um longo caminho a percorrer.

Poucos quilômetros após a partida, encontramos o povoado do Rio Preto, às margens do rio que lhe dá o nome. Pena estar tão cedo para um banho – imagino a temperatura daquela água às 08h da manhã!
Mais da Chapada é descoberto e a estrada mais regular proporciona boas velocidades nas descidas.
Na metade do dia, chegamos à cidade de Colinas do Sul, situada às margens do lago Serra da Mesa, o quinto maior do Brasil, com direito até a ondas altas! Tenho que voltar com meu caiaque....
Recomendo o restaurante da Ana, comidinha feita na hora e com aquele gostinho caseiro. Aliado ao melhor tempero do mundo, a fome, aquilo estava inigualável!
Após breve descanso, sol a pique, parti em direção às águas termais do Éden. A pousada não estava funcionando, mas acampei no local, utilizando a barraca que carregava no alforge.
Naturalmente, cabe destaque todo especial à piscina de água quente, onde fiquei de molho por horas a fio...

Quarto Dia: das águas termais do Éden a Alto Paraíso
O dia final de qualquer expedição sempre nos traz um ar de bem-estar, por sabermos que a missão está prestas a ser cumprida. Mas nada é simples: a pedalada se inicia com muitas subidas, que se acentuam nos quilômetros próximos de São Jorge. Haja pernas e, naturalmente, a marcha mais leve da bike foi largamente utilizada!!
Mas o visual nos dava ânimo para seguir em frente:

paada técnica em São Jorge para um refri, ligar para a família (o celular da Claro não pega a partir de Cavalcante), assim como apreciar o visual bem alternativos de alguns que andavam por ali.
Muitos pontos turísticos famosos são encontrados no caminho, tais como Vale da Lua, Raizama, cachoeiras Almécegas e São Bento, entre outros.
Já a 20 Km do final, nos chega novamente o asfalto, mas com direito a uma ciclovia como pouco se vê em outras estradas brasileiras.

Recomendo uma parada no Rancho do Valdomiro, cujo proprietário é um senhor com seus 70 anos que conhece todas as histórias - e estórias - possíveis da Chapada, um figuraço. Lá é servida a famosa matula, prato que já foi alvo de reportagem pela Ana Maria Braga.

Depois de muita conversa boa e recuperadas as energias, pedalada tranquila até chegar em Alto Paraíso, fim e início da jornada. A placa na entrada da cidade parecia ter sido feita sobre encomenda: Bem Vindo a Alto Paraíso – Homem, Harmonia e Natureza!
Agora, somente me resta saber onde será o próximo destino...
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